4 de mai de 2010

SENHORICE

Hoje pela manhã estava eu mais uma vez “livre”. Alguém atendia em minha sala de trabalho. Vi duas senhoras entrando pela porta da recepção, seriam encaminhadas ao centro cirúrgico. Me ofereci então pra levá-las, já que não estava fazendo nada e também porque muitas tarefas aguardavam, acho que quase gritavam pela recepcionista. Fomos nós, as duas senhorinhas e eu pelos corredores. A paciente estava um pouco ansiosa, sentimento normal para pré-procedimentos.
A senhorice delas me fez lembrar que mais de manhã ainda, no ônibus, vira outra senhora. Tinha dificuldade em se equilibrar e veio até o fundo se segurando, balbuciando sobre o perigo do piso molhado. Havia algo de difícil em sua pronúncia, com a articulação das palavras. Articulação, bem, isso soa um tanto médico demais, talvez seja a convivência. Pensei em usar dificuldade de expressão verbal, não sei. Porque ela conseguia fazer-se entender com as muitas expressões utilizadas, verbais, visuais, gestuais. Expressar é mais do que articular palavras. Lembro-me das expressões artísticas, tão ricas e diversas.
Mas voltando a senhora. Eu lia escritos rascunhados enquanto saculejava sentada no último banco, mas parei e fiquei observando, ansiosa, palavras querendo sair pra dizer que ela se sentasse no banco mais próximo com medo que se machucasse. (Lembrava um daqueles piões que indo pro fim do rodopiar não sabemos pra que lado cairão). Parecia mais com o movimento de animais saltando de galho em galho. Não sei, mas depois de tudo isso ela conseguiu sentar-se, olhou pra mim e pronunciou algo, tentei entender pra responder-lhe.
Pouco depois saltando pelos ferros veio um senhor, mais veloz. Humm, acho que ainda não veloz, mas, menos lento. Sentou-se ao lado dela. Não sei se eram assim, um casal de amor, mas eram casal homem e mulher.
Ah!! As senhoras do hospital. Então, tive a alegria de encontrá-las indo embora. Tudo correra bem durante o exame. Uma delas pegou minha mão e desejou que eu ficasse com Deus, correspondi e seguimos nossos caminhos. Não sei, mas algo mexeu aqui dentro. Gostamos de quem nos ouça, nos dê atenção e como andamos carentes disso nesses dias. Senhor, que eu pare mais pra ouvir. Ouvir as expressões, os olhares, os gestos, as pessoas, o Senhor, eu mesma.....

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