7 de set de 2010

Independência!

Independência de novo, mais um 07 de setembro. Este ano o céu não está azul como gosto, imperam as nuvens, cinza esbranquiçado é o tom. Depois de muitos dias secos, graças a Deus, chuva, ainda que no feriado. Daqui do quarto, observo pelo vidro da janela um clarinho lá fora, acho que são alguns raios rebeldes do sol se esticando por entre as nuvens. Quem sabe, de raio em raio ele não venha todo. Li na revista Isto É a definição de independência: “Estado de quem ou do que tem liberdade e autonomia".
Ontem véspera de feriado, no trabalho ambiente tranquilo, nada pra fazer de fato o que favoreceu o papo. Lá pelas tantas conversas, alguém conta uma experiência antiga profissional. Ouvi, me indignei inicialmente pelo quanto escravizamos nossa alma em nome do precisar sobreviver. Somos zumbis assim?! Apenas o corpo vive, o que tem dentro mortificamos? Lembro-me do livro Revolução dos Bichos : “Ainda que pareça que trabalhemos mais e comamos menos do que antes da revolução, pelo menos estamos lutando pelo que é nosso”. Se vai longe o “Buscai em primeiro lugar o Reino de Deus e Sua Justiça e todas essas coisas lhes serão acrescentadas.”
Alguém diria, indagaria talvez: “Mas não tem cada um a liberdade e a autonomia de não aceitar condições e trabalhos contrários ao que a alma sente, acredita? Ainda outros: “Ninguém é obrigado a permanecer onde está e concordar com as coisas.” Acho que isso pesa mais do que ter o país colonizador, o capataz ou quem mais seja a controlar as coisas abertamente. Agora, o problema é meio que velado, é de cada um, se você é dependente é por escolha própria, sois livres.
Entendem?! É saber que algo ou alguém nos escraviza, nos fere e na maioria das vezes o fisicamente não é o primeiro, nos fere lá dentro, aqui, porque não conseguimos , não queremos, ainda não sabemos fazer isso, proclamar a independência às margens da sociedade, de diversos sistemas, às margens de nós mesmos, ainda que as palavras de Cristo ecoem: "Vida em abundância". Vida inteira, vida, não sub, não sobre, não zumbi, vida. Mas aí outras se achegam e me confundem: “negue-se a si mesmo”. Me pergunto e a outros também, até que ponto?