24 de mai de 2010

Não sei....



Não sei... se a vida é curta ou longa demais pra nós,
Mas sei que nada do que vivemos
tem sentido, se não tocamos o coração das pessoas.

Muitas vezes basta ser:
Colo que acolhe,
Braço que envolve,
Palavra que conforta,
Silêncio que respeita,
Alegria que contagia,
Lágrima que corre,
Olhar que acaricia,
Desejo que sacia,
Amor que promove.

E isso não é coisa de outro mundo, é o que dá sentido à vida.
É o que faz com que ela não seja nem curta, nem longa demais.
Mas que seja intensa, verdadeira, pura...
Enquanto durar.

Cora Coralina

18 de mai de 2010

TERMINAL DE ÔNIBUS

Terminal de ônibus numa dessas segundas-feiras, bancos cheios desse lado. Vou ao outro, me sento e logo vem um cachorro que estava latindo na porta do banheiro feminino e se deita bem sob o banco, ele começa a se mexer e me preocupo, e se me morde?

A senhora ao lado parece desistir de esperar, ajeita a bolsa no ombro, pega sua sacola, levanta-se e sai. Mudo pro lugar dela, minutos depois no lugar em que eu estava senta-se um homem. É alguém que sempre vejo pelas ruas. Não sei, mas ele lembra o Erasmo Carlos, o cabelo lembra. Senti o cheiro, aquele de suor com pinga, parecia haver formigas no banco, ele começou a se mexer e não se acomodava. Ora sua mão estava no banco dele, ora no meu, comecei a escrever pra disfarçar, com medo que num rompante ele se virasse e sei lá... Felizmente as formigas venceram, ele se levantou e saiu!! Enquanto isso o cachorro quieto embaixo parecia dormir.

E não muda, senta, levanta gente, senta...O cachorro dormindo, eu observando daqui, voltei a esse lado... Caneta e papel jogo na bolsa, me levanto, meu ônibus chegou.

4 de mai de 2010

Um grande irrigador


Dia desses aí, saindo do trabalho senti respingos d'água, não era uma chuva forte, apenas um chuvisqueiro, aqueles que o vento ajuda a espalhar e complica o uso de sombrinhas, por isso decidi ir assim, sem proteção, me senti um pouco incomodada, mas de repente imaginei que poderia haver um grande irrigador no céu. Sabe aqueles usados em grandes plantações, jardins que vão aspergindo água pra todos os lados?
Pensei que poderia ser Deus me irrigando e quem sabe em meu terreno não haja frutificação boa dessa vez, assim como acontece com as plantas, que precisam de água para irem vivendo como sentem em seus genes. Algo assim, um sentimento, instinto dado por Deus...

SENHORICE

Hoje pela manhã estava eu mais uma vez “livre”. Alguém atendia em minha sala de trabalho. Vi duas senhoras entrando pela porta da recepção, seriam encaminhadas ao centro cirúrgico. Me ofereci então pra levá-las, já que não estava fazendo nada e também porque muitas tarefas aguardavam, acho que quase gritavam pela recepcionista. Fomos nós, as duas senhorinhas e eu pelos corredores. A paciente estava um pouco ansiosa, sentimento normal para pré-procedimentos.
A senhorice delas me fez lembrar que mais de manhã ainda, no ônibus, vira outra senhora. Tinha dificuldade em se equilibrar e veio até o fundo se segurando, balbuciando sobre o perigo do piso molhado. Havia algo de difícil em sua pronúncia, com a articulação das palavras. Articulação, bem, isso soa um tanto médico demais, talvez seja a convivência. Pensei em usar dificuldade de expressão verbal, não sei. Porque ela conseguia fazer-se entender com as muitas expressões utilizadas, verbais, visuais, gestuais. Expressar é mais do que articular palavras. Lembro-me das expressões artísticas, tão ricas e diversas.
Mas voltando a senhora. Eu lia escritos rascunhados enquanto saculejava sentada no último banco, mas parei e fiquei observando, ansiosa, palavras querendo sair pra dizer que ela se sentasse no banco mais próximo com medo que se machucasse. (Lembrava um daqueles piões que indo pro fim do rodopiar não sabemos pra que lado cairão). Parecia mais com o movimento de animais saltando de galho em galho. Não sei, mas depois de tudo isso ela conseguiu sentar-se, olhou pra mim e pronunciou algo, tentei entender pra responder-lhe.
Pouco depois saltando pelos ferros veio um senhor, mais veloz. Humm, acho que ainda não veloz, mas, menos lento. Sentou-se ao lado dela. Não sei se eram assim, um casal de amor, mas eram casal homem e mulher.
Ah!! As senhoras do hospital. Então, tive a alegria de encontrá-las indo embora. Tudo correra bem durante o exame. Uma delas pegou minha mão e desejou que eu ficasse com Deus, correspondi e seguimos nossos caminhos. Não sei, mas algo mexeu aqui dentro. Gostamos de quem nos ouça, nos dê atenção e como andamos carentes disso nesses dias. Senhor, que eu pare mais pra ouvir. Ouvir as expressões, os olhares, os gestos, as pessoas, o Senhor, eu mesma.....

CARACÓIS TRANSGÊNICOS?

Já amanhecia, mais os vaga-lumes ainda brilhavam. Eu nunca os vira de fato, apesar de saber de sua existência. Pus-me a procurá-los e qual não fora minha surpresa ao não encontrar vaga-lumes, mas caracóis com luzes na ponta das antenas!?. Corri pra pegar minha máquina e fotografar aquilo, mais quando me aproximei mais o corpo deles parecia derreter. Acho que eram parentes de outros que vi em um episódio da Caverna do Dragão. De repente percebo um com os olhos fitos em mim, não demora ele começa a correr, sei lá, deslizar... deslizar.. atrás de mim, fugindo, acordo.
Ufa!! Que sonho estranho. Acho que preciso diminuir a leitura sobre transgênicos....

A DONA ARANHA DESCENDO PELA PAREDE

Vejo agora uma dona aranha e não subindo pela parede, mas descendo, parece estar com uma presa em suas quelíceras. Sumiu, já não posso vê-la, foi comer em paz e eu com esse pedaço de música na cabeça: “A dona aranha subiu pela parede....”
Quis procurar a letra, pois não me lembrava da continuação ou não sabia. Sei lá, é tanta coisa aqui dentro....mas essa eu não encontrei. (Li uma vez numa daquelas estórias de livros didáticos que tudo que perdemos vai pro Reino do Beleléu), talvez a continuação da música estivesse lá. Mas não fui até lá procurar, não tinha tempo, usei a internet.
Descobri que no final da música a dona aranha também desce pela parede, vem a chuva e a derruba. Acho que essa aranha aqui teve mais sorte, não estava chovendo e nem que estivesse, está bem abrigada atrás do velho computador aqui do canto.
Mas algo me inquietou nessa letra: a chuva derruba a dona aranha e depois ela teimosa motivada pelo sol continua a subir, tudo bem, quem cai pode subir de novo. (Quem, não é só pra pessoas? Seria o que cai então? Bom, mas se a chamam de dona, então deve ser quem mesmo). Já, se ela está descendo e é derrubada, como continua a descer quando surge o sol? Hum, acho que não foi derrubada direito ou se segurou lançando seus fios, é, como o Homem-Aranha pelos prédios. Embora eu nunca tenha visto uma delas fazer isso, lançar fios, sempre as teias já estão lá, prontas. (Acho que preciso observar mais...).
Assim, fui buscar o significado de derrubar, e dentre várias definições que encontrei, percebo que sim, a dona aranha pode continuar a descer mesmo depois de ser derrubada pela chuva, porque ser derrubado também é estar pendurado, estar um pouco mais abaixo, num ponto inferior. Mas quer saber, pensando um pouco mais, ainda que não fosse possível pelo significado das palavras, seria na imaginação, na poesia.
Então, continue teimosa a descer, não ligue pra minha ignorância diante das palavras e da arte, pra essa mania que por horas toma minha mente de querer entender o que é pra ser lúdico.