19 de jun de 2012

Uma boa história: um livro, um herói, um enterro e um casamento.



     Recentemente li “Um milhão de quilômetros em mil anos” do Donald Miller e simplesmente amei. Um dos capítulos, o número seis, faz muito sentido para o dia de hoje. Usando algumas citações desse capítulo, descrevo um pouco de um dos meus heróis, que como ressaltou minha amiga, Any Ribeiro, não morreu de overdose. Ele soube para quem vivia e a missão que tinha.

      “Ninguém se lembra de histórias tranquilas. Os personagens precisam encarar os maiores medos com coragem. É isso que torna uma história boa. Se você pensar nas histórias de que mais gosta, elas provavelmente têm muitos conflitos. É provável que haja morte, interior ou física, em jogo. Essas cobranças extremas, essas alegrias e tristezas na vida, são como cores que Deus usa para desenhar o mundo”. As cores alegres e vivas que se contrastam com as nubladas e tristes da obra de tapeçaria, tão bem descritas na música “O tapeceiro” de Stênio Március.

      “De algum modo, percebemos que grandes histórias são contadas com conflitos, mas não estamos dispostos a aceitar a possível grandeza da história da qual realmente participamos. Pensamos que Deus é injusto, e não um mestre contador de histórias.”
      
       Isso é extremamente verdadeiro. Basta enfrentarmos uma tempestade inesperada na rotina-nossa-de-cada-dia: uma doença inesperada, uma traição, uma morte “antecipada”, uma família desfeita, uma perda, um sonho que se desvanece, uma súbita tragédia que assola o local onde moramos. Não, não gostamos disso. Não queremos a dor, a derrota, a perda, a decepção, a morte. Não na vida real.

      “Ouvi dizer que muitos dramaturgos acabavam suas histórias com um enterro, fosse ela trágica, ou com um casamento, fosse ela cômica.  Acho que isso explica a razão pela qual damos tanta importância a casamentos, porque casamento significa vida”.


     
      Apesar de tantas lutas e perdas... “uma das coisas que me dão esperança é que, mesmo com toda tragédia que acontece no mundo, a Bíblia diz que, quando chegarmos ao céu, haverá um casamento, haverá bebida, haverá dança”.

      

     
       Hoje, faz 9 anos que meu pai faleceu, vítima de um câncer maligno.  O enterro do meu pai foi lindo. “Embora as pessoas estivessem obviamente tristes, havia também um sentimento de que estávamos enterrando um homem bom, que parece diferente quando o enterro é de um homem comum. A vida de meu ...[pai] ... foi celebrada em seu enterro”.



        Meu pai contou com sua vida uma linda história. Não construiu impérios, não acumulou bens materiais, mas tocou pessoas. Era um discípulo de Cristo, homem de oração, esposo fiel, pai super-presente, pastor em transformação, honesto, íntegro, bom irmão, amigo, conselheiro, italianado e com cara de bravo, mas coração de manteiga.

      Morreu cedo demais, aos 45 anos. Morreu cedo demais, porque sua história era boa e queríamos provar dela mais, queria mais dela na minha história. Passou pela doença e não deixou de crer, mesmo em face da morte iminente. 

         Como disse, o pastor Ziel Machado, “a gente morre como a gente vive”. Meu pai morreu dizendo que Cristo viria buscá-lo, porque viveu esperando isso e levando esta esperança a outros.

         Seu legado e sua herança permanecem em nosso coração aqui na terra e enquanto isso, ele está no céu, sentado à mesa, numa festa, onde há músicas e danças. Meu pai está num casamento, o mesmo que Cristo nos chama a participar.


17 de dez de 2011

Lágrimas

Elevo meus olhos para os montes, de onde me virá o socorro? Salmo 121.1



14 de nov de 2011





Hoje dirigindo pra casa, parei meu carro para uma senhorinha de cabelos brancos presos a um coque atravessar a rua... Ela ficou espantada e fez cara de brava...não me agradeceu.

Eu sorri pra ela e pensei comigo... nem sempre eu paro (quase sempre estou com pressa e muita), mas quando paro, espero um obrigada.

De qualquer maneira, quando uma gentileza é feita, o mundo fica mais dócil, porque você se permite ser usado por Deus para manifestar sua bondade.

Quem sabe você se torne um pouquinho melhor, alguém que demonstra ao outro que a vida dele vale muito e aprende que sozinho, não consegue ser realmente bom.

Fazer o bem e ponto. Sem sorriso, sem obrigada, sem ficar cheio de si, sem recompensa alguma. Isso só mesmo Cristo fez.

24 de dez de 2010

O bercinho de Jesus


Não, ele não teve berço de ouro, nem sequer teve um berço realmente.

Foi colocado num berço adaptado, a manjedoura. Adaptado, porque seu uso inicial era bem diferente, o lugar onde a comida dos animais era colocada, e se tornou o local onde o Melhor Presente repousou.

Pensando nisso, há alguns pensamentos sobre Jesus, o Filho de Deus, Messias esperado, colhidos ao longo de vários anos:

- O melhor presente não teve a melhor embalagem. Qual embalagem você anda buscando? E a essência?

- O melhor presente estava junto das coisas mais simples da vida. Para que tantas coisas acumuladas, luxuosas. Para que tanta complicação e tanto correr atrás do vento?

- O melhor presente se fez presente em humildade e fragilidade. Orgulho é muito diferente disso tudo. Como está seu coração?

- O melhor presente se tornou homem para que pudessemos ser feitos filhos de Deus. Como tem sido seu comportamento de filho de Deus: ausente, presente, próximo, distante?

E a pergunta final é: Você realmente entendeu qual é o melhor presente?

Que o amor de Emanuel, o Deus conosco, o Deus presente, esteja com você e sua família!

6 de dez de 2010

Canseira!



Uma vez, conversando com um pastor, ele me disse para desistir do "ministério" porque eu comentei que me cansava ao lidar com pessoas. Meu cansaço era referente a minha profissão, pois meu contato com outras pessoas é constante.

Não tive tempo para refletir no diálogo. Mas hoje, do nada, me lembrei e pensando sobre a conversa, vejo que os pontos de vistas eram diferentes e as atuações muito diferentes também.

Ouvi o Pr. Jeremias, da 8ª Presbiteriana de BH, sábado passado no Missão na Íntegra. (http://www.irmaos.com/missaonaintegra/ ) Ele contava como decidia as coisas na igreja, levando em consideração se algo feriria uma ovelha ou não. Ouvi ele falando que acordou por um tempo 4:30h da manhã de segunda-feira para visitar uma pessoa que não estava frequentando os cultos. Em nenhum momento, pisou em suas ovelhas, mas se referiu a elas como os maiores tesouros que ele possuía. Ele não negou o cansaço que isso gera. Aliás, mostrou-se completamente sincero nesse ponto.

É nesse tipo de relacionamento que acredito. No pastor sincero que é amigo, no pastor que cuida, no pastor que ama, e, não no que julga, no que expõe sua ovelha de maneira pública. Afinal não deveria ser a igreja o espaço da inclusão e do acolhimento da diversidade imperfeita amada por Deus? (joão 3:16).

Mesmo nesse tipo relacionamento, às vezes, cansa estar. Cansa trabalhar sem ver resultado aparente, devido nosso imediatismo. Cansa tomar cuidado com o outro e consigo. Cansa sofrer com o preconceito do qual você se torna participante ao escolher estar ao lado do oprimido e marginalizado.

Só lida com gente quem ama, mas quem lida com gente sofre. Afinal, o amor é sofredor, e, sofrer cansa!!! (menos é claro para os masoquistas de plantão! rs) Apesar de cansar, o amor verdadeiro não falha, não desiste, suporta esse sofrimento, esperando e crendo Naquele que nos fez capaz de amar, porque nos amou primeiro e sempre nos amará.

Sofrer por amor além de cansar, pode matar. Cristo amou e sofreu porque escolheu estar com os humanos para apregoar as boas novas, libertar cativos, curar doentes... escolheu deixar sua glória, escolheu estar limitado e carregar um corpo físico (que precisava comer, beber, dormir), escolheu ser pregado na cruz e morrer !

Tudo isso para que nós entendêssemos que somos amados por Deus, que O caminho de retorno ao Pai estava ali no madeiro, que A verdade fora revelada em amor e A vida abundante agora estava acessível a todo aquele que Nele crer.

Não posso fazer milagres como Ele fez... mas posso dispor do que Ele me deu para trabalhar: mãos, ouvidos, coração, mente...

Muita pretensão negar a possibilidade de alguém se engajar num trabalho pelo fato dessa pessoa sentir cansaço. Negar o cansaço é sinal ou de orgulho, ou de trabalho mal feito! Porque o nosso único Messias, Cristo Jesus, quando andou nesta Terra, precisou descansar... porque nós não precisaríamos? rs

28 de nov de 2010

Jesus ama as pessoas que você odeia


Em tempos de guerra no Rio... Em tempos de manifestações em relação a homossexualidade... Em tempos de discussão sobre quem tem razão... Em tempos de egoísmo... Em tempos de muita informação e pouco diálogo... Em tempos de falta de amor... Em tempos de falta de fé...

Vamos a DEUS que veio a nós em Cristo, e sigamos seu exemplo de amor, humildade, serviço e doação!


God Of The Moon And Stars (Kees Kraayenoord)

God of the moon and stars - Deus da lua e das estrelas
God of the gay – and singles bars - Deus do gay e dos bares para solteiros
God of the fragile hearts we are, I come to you - Deus dos corações frágeis que somos, eu venho a Ti
God of our history, god of the future that will be - Deus da nossa história, Deus do futuro que virá
What will you make of me, I come to you - O que farás de mim? Eu venho a Ti
God of the meek and mild - Deus dos mansos e moderados,
God of the reckless and the wild - Deus dos imprudentes e selvagens
God of the unreconciled, I come to you - Deus do irreconciliável, eu venho a Ti
God of our life and death - Deus de nossa vida e morte
God of our secrets unconfessed - Deus dos nossos segredos ocultos
God of our every breath, I come to you - Deus de cada respirar, eu venho a Ti
God of the rich and poor - Deus dos ricos e pobres
God of the princess and the whore - Deus da princesa e da prostituta
God of the ever open door, I come to you - Deus da porta sempre aberta, eu venho a Ti
God of the unborn child - Deus da criança não nascida
God of the pure and undefiled - Deus do puro e imaculado
God of the pimp and paedophile, I come to you - Deus do cafetão e do pedófilo, eu venho a Ti
God of the war and peace - Deus da guerra e da paz
God of the junkie and the priest - Deus do viciado e do sacerdote
God of the greatest and the least, I come to you - Deus dos maiores e menores, eu venho a Ti
God of the refugee - Deus do refugiado
God of the prisoner and the free - Deus do prisioneiro e do livre
God of our doubt and certainty, I come to you - Deus da nossa dúvida e certeza, eu venho a Ti
God of our joy and grieve - Deus da nossa alegria e do nosso luto
God of the lawyer and the thief - Deus do advogado e do ladrão
God of our faith and unbelief, I come to you - Deus da nossa fé e descrença, eu venho a Ti
God of the wounds we bear - Deus das feridas que levamos
God of the deepest dreams we share - Deus dos sonhos mais profundos que compartilhamos
God of our unspoken prayer, I come to you - Deus da nossa oração não dita, eu venho a Ti
God of a world that’s lost - Deus de um mundo perdido
God of the lonely cross - Deus da solitária cruz
God who has come to us, I come to you - Deus que veio a nós, eu venho a Ti

Última frase do vídeo: Remember, Jesus loves the people you hate Lembrem-
se: Jesus ama as pessoas que você odeia
Tradução: Roberto Amorim / Tati Catini

http://www.youtube.com/watch?v=_sD-uOmhlww

7 de set de 2010

Independência!

Independência de novo, mais um 07 de setembro. Este ano o céu não está azul como gosto, imperam as nuvens, cinza esbranquiçado é o tom. Depois de muitos dias secos, graças a Deus, chuva, ainda que no feriado. Daqui do quarto, observo pelo vidro da janela um clarinho lá fora, acho que são alguns raios rebeldes do sol se esticando por entre as nuvens. Quem sabe, de raio em raio ele não venha todo. Li na revista Isto É a definição de independência: “Estado de quem ou do que tem liberdade e autonomia".
Ontem véspera de feriado, no trabalho ambiente tranquilo, nada pra fazer de fato o que favoreceu o papo. Lá pelas tantas conversas, alguém conta uma experiência antiga profissional. Ouvi, me indignei inicialmente pelo quanto escravizamos nossa alma em nome do precisar sobreviver. Somos zumbis assim?! Apenas o corpo vive, o que tem dentro mortificamos? Lembro-me do livro Revolução dos Bichos : “Ainda que pareça que trabalhemos mais e comamos menos do que antes da revolução, pelo menos estamos lutando pelo que é nosso”. Se vai longe o “Buscai em primeiro lugar o Reino de Deus e Sua Justiça e todas essas coisas lhes serão acrescentadas.”
Alguém diria, indagaria talvez: “Mas não tem cada um a liberdade e a autonomia de não aceitar condições e trabalhos contrários ao que a alma sente, acredita? Ainda outros: “Ninguém é obrigado a permanecer onde está e concordar com as coisas.” Acho que isso pesa mais do que ter o país colonizador, o capataz ou quem mais seja a controlar as coisas abertamente. Agora, o problema é meio que velado, é de cada um, se você é dependente é por escolha própria, sois livres.
Entendem?! É saber que algo ou alguém nos escraviza, nos fere e na maioria das vezes o fisicamente não é o primeiro, nos fere lá dentro, aqui, porque não conseguimos , não queremos, ainda não sabemos fazer isso, proclamar a independência às margens da sociedade, de diversos sistemas, às margens de nós mesmos, ainda que as palavras de Cristo ecoem: "Vida em abundância". Vida inteira, vida, não sub, não sobre, não zumbi, vida. Mas aí outras se achegam e me confundem: “negue-se a si mesmo”. Me pergunto e a outros também, até que ponto?